15 May 2017

SHE FOR SHE #4: SOFIA

Montemor-o-Novo, Portugal

Depois da tempestade, a bonança. Foi assim que Montemor-O-Novo me recebeu a mim e à Sofia, a menina do mês de Maio do meu projecto favorito, SHE FOR SHE. Depois de uma noite chuvosa, o campo colorido e primaveril permitiu-nos fazer a sessão fotográfica cujo resultado simplesmente adorei. Com a Sofia é fácil conversar, fazer poses e rir durante todo o processo. Ela sempre me deu este sorriso bonito que podemos ver nas fotos e, mais tarde, quando fomos conversar sobre a mulher que ela é, começamos a rir e acabámos a chorar. Vamos descobrir porquê?







Nunca conheci a Sofia de outra maneira: sempre a sorrir, sempre bem-disposta, sempre com vontade de festejar com muita diversão à mistura. Nos últimos tempos, contudo, deparei-me também com um outro lado de Sofia, um lado mais maduro e profundo, um lado com quem podemos conversar durante horas sem ficarmos aborrecidos. Na nossa conversa, Sofia dá-me um pouco dos dois lados, onde falamos sobre o que é para ela, aos 25 anos, ser directora-técnica de dois lares no distrito de Évora, fazendo aquilo que sempre considerou ser a sua grande vocação. "Sempre tive vontade de trabalhar com pessoas, principalmente idosos. Tenho uma tia que é deficiente e acho que partiu daí a minha vontade de ser útil para os outros", assegurando que não se sentiria concretizada num trabalho onde não tivesse contacto diário com as pessoas.







É necessário perguntar se a Sofia é olhada de maneira diferente por ser a Dr.ª Sofia de 25 anos num meio tão pequeno como aquele onde vive. "Não acho que as pessoas me olhem de lado pela minha idade. Acho que tive sorte nos dois sítios onde trabalho, porque nunca me senti desrespeitada por causa disso", embora saiba que noutros locais de trabalho a situação possa ser muito diferente, onde uma pessoa com 40 anos poderá impor mais respeito do que alguém tão jovem como ela. A resposta para a sua determinação e o respeito que recebe dos que a rodeiam, diz estar relacionado com a noção de que cada vez mais as mulheres foram feitas para cargos importantes. "Acho que a partir da nossa geração de 90 tem havido uma revolução das mulheres. Já não temos medo de sermos independentes, de não dependermos de um homem, do casamento ou da família. Esta geração vem lutar um bocadinho mais pelos seus interesses pessoais, pela carreira profissional, pensando de maneira diferente das gerações anteriores." 




Existem dificuldades no meio disto tudo? "Todos os dias tento fazer o melhor e o máximo que consigo. Mas, para mim, as grandes dificuldades são quando alguém fica doente, quando alguém parte, depois de criarmos aquela ligação de avós e neta e termos de os ver partir." Sofia considera-se uma pessoa forte, capaz de tudo, crescendo gradualmente para encarar situações como estas cada vez mais enquanto profissional e não tanto com o coração. O seu sonho está a ser concretizado, trabalhando em contacto com idosos, ajudando-os diariamente e, ao mesmo tempo, evoluindo academicamente. Fala-me da pós-graduação que está a tirar, do mestrado que quer terminar e do doutoramento que ainda quer fazer. Enquanto olho para ela, compreendo que é uma pessoa que nunca vai acabar de estudar, de se construir a si mesma através dos estudos e do trabalho, pois, como ela mesmo afirma, "devemos lutar pelos nossos sonhos, mas ao acreditar neles conseguimos, por muito que demore". 





Ao longo das entrevistas que tenho feito, cada uma me deu uma resposta diferente em relação ao que significa para elas ser mulher. Para Sofia, ser mulher tem que ver com o seu crescimento pessoal e com tudo o que já foi concretizado e ainda está por concretizar. "Não ter medo de cumprir os nossos objectivos, não ter medo de não casar, de não vir a ter filhos. Não ter medo de assumir um cargo de responsabilidade, lutar por aquilo que queremos. Pessoas com a idade das nossas mães e das nossas avós abdicaram dos seus interesses pessoais para se dedicar às famílias. Acho isso muito bonito, aceito quem o faz, mas eu não vou desperdiçar a minha realização pessoal por causa disso. E acho que isso nenhuma mulher o deve fazer."

Perante uma mulher tão realizada quanto Sofia parece ser, tenho que lhe perguntar qual a sua memória mais feliz. É nesta parte que nos desmanchamos as duas a chorar, o que também não é propriamente difícil. "Todos os dias trago memórias felizes, pois todos os dias sinto que já valeu a pena ter acordado e ter ido trabalhar." E, ainda assim, a memória mais feliz que tem é da festa do seu 25º aniversário, em Fevereiro deste ano, onde eu e o nosso grupo de amigos lhe trouxemos uma surpresa - um vídeo com os idosos, essas pessoas a quem ela dedica todos os seus dias, a cantarem-lhe os parabéns, quase como que a celebrar connosco, com ela, com a família, dando-lhe cada vez mais a certeza "que é isto que quero fazer da vida, e que sou muito feliz assim". 


...

De novo, muito obrigada por todo o carinho que tenho recebido por este projecto. Espero que tenham ficado tão deliciados com a entrevista da Sofia como eu fiquei, que tenham percebido o amor que ela tem àquilo que faz. Digam o que acharam nos comentários!


7 comments so far

  1. Uma conversa terna, que nos cativa à primeira palavra. Adorei ler *.*

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    1. Muito obrigada, Andreia! Ainda bem que gostaste :)

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  2. As fotos estão lindas e o vestido fica-te muito bem!
    Muitos beijinhos,

    Sparkle Outfit

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  3. Gostei muito Sofia! Foto eleita - a última :)
    Frase eleita: "Não ter medo de cumprir os nossos objectivos, não ter medo de não casar, de não vir a ter filhos. Não ter medo de assumir um cargo de responsabilidade, lutar por aquilo que queremos. Pessoas com a idade das nossas mães e das nossas avós abdicaram dos seus interesses pessoais para se dedicar às famílias. Acho isso muito bonito, aceito quem o faz, mas eu não vou desperdiçar a minha realização pessoal por causa disso. E acho que isso nenhuma mulher o deve fazer." Beijinhos

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    1. Eu também adoro a última fotografia, embora ache que está muito bonita em todas :)

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  4. Que mulher tão doce que desta vez nos apresentas. Adorei o sorriso dela e aquela foto dela com o malmequer (é um malmequer?!) é a minha favorita. Tão "peaceful", parece combinar mesmo com a personalidade dela.

    Fiquei encantada com esse horizonte! Que lugar é esse?

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    1. É uma barragem que fica entre Lavre e Montemor-O-Novo, um sítio pequenino mas com uma paisagem muito bonita para piqueniques e sessões fotográficas como a que fizemos. Obrigada pelos elogios, significam tudo, querida Catarina. Beijo grande :)

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