28 March 2017

SHE FOR SHE #2: Liliana



O mês de Março é dedicado à Liliana, amiga que remonta aos tempos de escola, não daqueles que começam na infância, mas que estão de braço dado com os primeiros namoros, primeiras festas, primeiras aventuras-que-servem-para-crescer. Já vão sete, oito anos (?) de amizade com esta mulher que continua a inaugurar o meu projecto de 2017, o SHE FOR SHE, depois de o mês de Fevereiro ter sido dedicado à mulher da minha vida, a minha mãe, como podem ver aqui (desde já um grande obrigada ao feedback excelente que recebi com essa primeira publicação, é tão bom receber do outro lado uma resposta tão positiva!).

Com o desenvolvimento da rubrica, pretendo procurar mulheres distantes do meu coração, com histórias bonitas, histórias que valem a pena. No entanto, é injusto chegar até elas sem antes valorizar quem está bem pertinho de mim, como é o caso da Liliana, uma das pessoas que mais admiro pela sua força, persistência, cujo sorriso bonito faz com que ninguém se aperceba do que já se passou, de como conseguiu chegar até hoje.






Lembro-me de um dia, numa saída com os amigos de Universidade dela, eu fazer um comentário sobre a feminilidade da Liliana e um deles olhar para mim, entre a incredulidade e o gozo, e dizer "É difícil imaginar uma Liliana feminina". Licenciada em Arqueologia, não tem problema em agarrar numa picareta e abrir a terra, sem se preocupar com sujidade, feridas, enfim. Considera que é por isso que o sexo masculino prefere tratá-la como se fosse homem, pois "é preferível isso a conseguirem admitir que existem mulheres capazes de tudo o que eles conseguem fazer", como é o seu caso.

Mesmo feminina, como se pode ver nestas fotos onde temos uma Liliana linda, cresceu no meio de homens, o que acha ter alguma influência na maneira como age, principalmente no "pragmatismo com que vejo as coisas", a facilidade com que prefere simplificar o que está à sua frente, visão que diz ter herdado do pai.

Contudo, não foi só isso que herdou. Apenas com nove anos, a sua mãe partiu com cancro, mais ou menos na altura em que o seu irmão mais velho teve um acidente de carro, ficando paraplégico. "Foi das coisas que mais me marcou na minha infância. Tive que aprender a ser mãe, a ser filha, a ser irmã, tudo ao mesmo tempo." Continuou a ter a grande presença da sua avó materna, sempre lá para ela e que, ainda assim, a preparava para as lides da casa, a ajuda ao irmão, o apoio ao pai. Ainda assim, afirma ter tido "uma infância normal", onde apenas sabia que tinha que ir para casa mais cedo do que as outras crianças, para ajudar no que fosse preciso.


Quando foi para a Universidade, conseguiu aprender "a valorizar o meu espaço, a querer um pouco para mim" depois de tantos anos a dedicar-se a 100% aos outros, ainda que afirmando firmemente que "não tenho arrependimentos" em relação a nada na sua infância e adolescência. A certa altura, "aceitei que iria ajudar a minha família em casa sem ter espaço para mais nada", o que mudou ligeiramente quando começou a viver sozinha, a ter tempo para si mesma.

Finalmente, e ao perguntar-lhe sobre o que pretende fazer no futuro, tem um grande foco a nível profissional sobre o que quer fazer, acreditando inclusive que consegue mudar o campo de trabalho enquanto mulher, modificando mentalidades. "Ser mulher é ser imprevisível, ser aquilo que os outros não estão à espera". Pessoalmente, acho que esta citação define a Liliana em tudo. Não nos apercebemos da vida que teve, das dificuldades que passou, da infância que teve, simplesmente porque a Liliana não deixa que isso a defina. Focada no seu trabalho, no que quer ser no futuro, recusa-se a parar quieta, planeando viajar, planeando trabalhar, planeando ser feliz.



Espero que tenham gostado da segunda publicação da rubrica SHE FOR SHE! É difícil manter-me simples quando me apetece escrever sobre tanta coisa das pessoas que eu gosto, e com a Liliana não foi excepção. Acima de tudo, espero que tenham conseguido captar a sua essência, a sua perseverança e a felicidade que transborda, que é o que eu vejo todos os dias. 

12 comments so far

  1. Gostei muito de conhecer a Liliana. Parabéns, Sónia pela crónica. Continua. É um prazer ler-te.

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  2. Gostei, sim. E as fotos estão um amor!

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  3. Adorei, que história inspiradora, e acho que lhe fizeste justiça. :)

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  4. Sem dúvida que merece tudo imenso...imenso orgulho :)

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    1. É um orgulho para todos nós. Ainda bem que gostaste, Marco!
      Beijinhos

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  5. Adoro esta rubrica. E a Liliana, que mulher incrível. Identifiquei-me. Tal como ela, já passei por momentos muito maus na vida e que envolveu morte de alguém próximo. No entanto, não era tão criança quanto ela...

    Beijinho para as duas.

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  6. Adorei esta publicação e podia ficar aqui a ler mais sobre a Liliana. Gostei muito de conhecê-la :)

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