18 February 2017

A MUSEUM A DAY #1: "Uma maneira de ser moderno"

Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

Bem-vindos a uma nova (outra!) rubrica no blog pela qual (já) estou verdadeiramente apaixonada, ARTE & MUSEUS. Tal como o nome indica, as artes enquanto fonte de recuperação, uma espécie de cura para o nosso dia-a-dia, como é suposto ser também nos nossos corações. A ideia é que, em cada visita a um determinado museu, haja uma pequena explicação do propósito da exposição, uma opinião pessoal, muito minha, muito simples, bem como algumas fotografias das obras que mais gostei. 

Para começar mesmo em grande, ofereço-vos a minha visita à exposição do Almada Negreiros, exposta na Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa até 5 de Junho, que conta com as várias facetas deste artista do Modernismo, da época da revista Orfeu, da minha época favorita de como ser Portugal. 




Almada Negreiros (1893-1970) foi uma das peças fulcrais no ponto de vista artístico do século XX. Dedicou-se ao desenho, à pintura, à poesia, ao romance, a tudo o que a sua alma precisava. Sempre gostei muito de Almada Negreiros, das suas cores vividas, das formas geométricas que se descobrem em pequenos pormenores ou em grandes detalhes, das expressões cheias nos olhos de cada retrato.

Nesta exposição, "Uma Maneira de Ser Moderno", aprendi duas coisas novas sobre Almada Negreiros que me passaram completamente ao lado durante todos estes anos. A primeira trata de uma outra faceta do artista que desconhecia: a performance. Chegou a coreografar bailados e havia sempre algo de teatral, promissor, desconcertante naquilo que fazia, tornando-o um dos pioneiros  desta vanguarda por Portugal. Havia uma paixão pela dança, pelo teatro, pelo cinema, que se destaca muito em algumas das suas obras, como no retrato fotográfico em baixo onde aparece um Almada despido, cheio de sentimento, no auge do per-formare..


Sabem aquele quadro de Fernando Pessoa sentado numa mesa a escrever? Aquele quadro muito característico, muito conhecido, muito retrato daquilo que foi o nosso poeta? Pois bem, Fernando Pessoa foi "repintado": há duas versões, uma a olhar para o lado esquerdo, outra para o direito. Foi a segunda coisa nova que descobri, uma curiosidade engraçada - o quadro de 1954 foi pintado para o restaurante Irmãos Unidos e o segundo, em 1964, encomendado pela Fundação Calouste Gulbenkian.





Adorei a exposição, embora seja suspeita de falar porque, regra geral, adoro tudo o que é Gulbenkian. De alguma forma, conseguiram expor a essência de Almada Negreiros nos vários campos artísticos, e trouxe para casa um novo amor por este nosso artista português.

É de salientar também que o museu estava cheio de gente. Havia um grupo com visita guiada e muitas pessoas a deambularem de quadro em quadro, o que me deixou muito feliz. O nosso país precisa muito de arte, dessa arte que nos cura e retransforma, que certamente me cura a mim.

Já foram ver a exposição? O que acharam? 

2 comments so far

  1. Está na minha lista para ver, espero conseguir ir lá em breve :D

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    1. Acredita que vais gostar, está mesmo bem concebida e há muito para além daquilo que decidi expor aqui :)

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