2 December 2016

Fantastic Beasts And Where To Find Them (2016)



Em 2011, com os meus dezasseis anos, tinha entrado no cinema de Alcochete para ver o último filme da minha saga favorita. Harry Potter and the Deathly Hallows (2011) prometia ser o filme que mais lágrimas me iria provocar, especialmente depois de ler o livro correspondente e saber mais ou menos o que ia acontecer. A cinematografia, a narrativa e a excelência dos actores superaram em muito as minhas expectativas. Podendo não concordar com a qualidade da história de J. K. Rowling, ninguém pode negar o sentimento que a escritora provocou no coração de todas as crianças que seguiram Hogwarts de perto com uma varinha numa mão e o sonho que o mundo mágico fosse real na outra. Isso ninguém nos pode tirar.


Cinco anos depois, entrei no cinema do Montijo com o coração a bater rápido, como quando tinha oito anos e comecei a ver um filme sobre magia e crianças escolhidas por chapéus que falavam e varinhas que soltavam magia. Como se fôssemos nós que estivéssemos à frente de Hagrid quando ele disse "You're a wizard, Harry." Quando saiu o último filme não sabia que ia ter mais histórias, mais sequelas e mundos alternativos e, se tivesse, estava muito confiante que jamais iria saber ao mesmo.

Estava tão errada.

bookish solace / tumblr

Fantastic Beasts And Where To Find Them (2016) é a história de Newt Scamander (Eddie Redmayne) e das suas aventuras enquanto escreve um livro que, curiosamente ou não, tem o mesmo nome que o título do filme. Scamander é um Hufflepuff ligeiramente tosco e definitivamente aluado, um amante de tudo o que é diferente, o que normalmente significa também ser amante de problemas. O termo correcto é magizoologista, como os nossos zoólogos mas com espécies em estudo muito mais interessantes. Coleccionar criaturas é um termo demasiado forte; Newt protege-as na sua maleta de cabedal que é na verdade uma escadaria para demasiados habitats das mais diferentes espécies mágicas que possamos imaginar. São espécies que estão em vias de extinção, espécies que precisam de ser protegidas do mundo mágico por terem medo delas, ou simplesmente para estudá-las. Consigo ver Newt a passar grande parte do tempo fechado dentro da maleta a tomar conta dos seus bebés, já que se auto apelida de ser a mãe deles (demasiadas semelhanças com o Hagrid, devo dizer).

Este feiticeiro ao qual já me afeiçoei demasiado vai para a América libertar um Thunderbird, que tinha sido contrabandeado, no seu habitat natural. Scamander fê-lo na pior altura devido aos constantes ataques que andam a ocorrer, deixando o Magical Congress of the United States of America (MACUSA) num desaforo e obrigando-os a ser ainda mais restritos nas leis que protegem os muggles da magia - ou a magia dos muggles, como Graves (Colin Farrell) afirma antes daquele maravilhoso plot twist que eu não estava à espera e que achei sensacional. Assim, Scamander encontra-se na difícil posição de fugir ao MACUSA e à impertinente Tina Goldstein (Katherine Waterston) enquanto tenta apanhar as criaturas que fugiram da sua maleta, incluíndo o adorável Niffler que não pode ver coisas brilhantes à frente, e ao mesmo tempo depara-se com um perigo desconhecido que anda à solta pelas ruas de Nova Iorque.


Demasiado para uma pessoa só? Possivelmente. Daí que Scamander conquiste com muita dificuldade Tina, a sua adorável irmã Queenie, e que tenha a ajuda do No-Maj Kowalski (no-maj = muggle, o que achei hilariante, porque só mesmo na América teriam um nome tão simples como no-maj / no-magic). Os momentos de humor proporcionados principalmente por Kowalski (Dan Fogler) e Newt deixaram-me a mim e ao resto da plateia de cinema a rir bem alto. E, no final, a relação entre Queenie (Alison Sudol) e Kowalski foi mais uma vez uma mensagem bem explícita da escritora e do resto da produção - que numa cultura americana dos anos 30 onde feiticeiros e no-majs não podem casar ou sequer conviver, haja alguém disposto a quebrar as regras porque o amor prevalece sempre.

Para mim, a excelência dos efeitos especiais e a mão do David Yates na direcção do filme tiraram-me o fôlego. As batalhas entre Graves e o resto das personagens, a forma como os feiticeiros são sentenciadas à morte no MACUSA e acima de tudo, a beleza das criaturas que Newt protege fizeram-me voltar ao mundo de Harry Potter de uma maneira completamente diferente. Nunca foi suposto voltarmos a Hogwarts. Com Fantastic Beasts, Rowling leva-nos a uma viagem mais madura, percorrendo o tempo e entendendo a cronologia e tudo o que aconteceu até Tom Riddle aparecer com os seus horcruxes. Não nos faz voltar atrás no tempo e querer comparar ambas as sagas, antes dá-nos algo incomparável para admirar e desejar por mais.



Quando saí da sala de cinema depois do Deathly Hallows, o sentimento geral era de saudade, no meio das lágrimas e dos suspiros ao voltar a ver os pais de Harry a falarem com ele por uma última vez antes de combater Voldemort. Desta vez, saio do Montijo como se tivesse voltado a estar com um amigo de longa data, não fosse este mundo mágico o que me acolheu durante a minha infância e adolescência e que me vai continuar a acompanhar mais tarde, como uma herança que deve ser passada de geração em geração.

Escusado será dizer o quanto recomendo este filme. Amantes de Harry Potter ou não, a narrativa e acção do filme são inconcebíveis. Posso ser suspeita de falar devido ao meu eterno amor pela saga, mas ainda assim vejam. Apaixonem-se como eu me apaixonei. E até ao próximo filme!

3 comments so far

  1. Adorei Sonia. Ainda não vi esta película mas fiquei com vontade de a ver até porque, também sou fã da saga do Harry Potter. Parabéns. O teu texto é motivador. Beijos

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  2. Também nós crescemos com estes livros, e percebemos perfeitamente o que disseste sobre o final da saga inicial. E nota-se perfeitamente todo o carinho que tens por toddo o universo mágico criado por J.K.Rowling :) Achamos maravilhoso!
    Uma de nós já viu e adorou, a outra ainda não teve oportunidade de ver, mas está a morrer por dentro de tanta curiosidade, mas ambas concordamos que esta é de certeza a melhor review que já lemos!
    Continua também o bom trabalho, que nós já percebemos que vamos acompanhar de perto :)
    Beijinhos
    @ 104

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  3. Olha, eu morri de amores e saudades com este filme. Tanto que já o vi 3 vezes desde que saiu e duas delas foram no cinema, no espaço de 2 dias. Não aguento. É muito amor por este mundo...
    Ai, como eu queria que a minha carta de Hogwarts ou de alguma escola de magia e feitiçaria portuguesa chegasse até mim. :/

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