28 December 2016

Os 5 Livros Favoritos de 2016


Como assim já passaram duas semanas desde a última vez que aqui vim?! Tenho um grande pedido de desculpas a fazer e muito por que compensar. A última semana do semestre foi infernal (em grande parte devido à minha arte de procrastinar), o que não me deu nem um bocadinho de tempo para ler as publicações natalícias da blogosfera. E depois, quando achava que ia finalmente conseguir escrever umas quantas publicações para celebrar o Natal - e tantas ideias que eu tinha!, tive que fazer umas compras de última hora que pronto, fizeram com que chegasse ao final do Natal triste devido à minha falta de tempo.


Questionei-me sobre que tipo de publicação faria para me despedir de 2016 em grande e a primeira coisa que me veio à cabeça foi livros. Consigo sempre acompanhar os livros que leio através da minha conta no Goodreads, mas de todos os livros que consegui ler ao longo destes meses, houve uns que se destacaram mais do que outros e que certamente merecem recomendações para quem, como eu, não passa sem um bom livro assim que há um tempinho disponível.

Assim, aqui vão os livros que mais me marcaram em 2016:

1. Os Livros Que Devoraram O Meu Pai (2009), Afonso Cruz

cata livros
2016 foi o ano em que descobri Afonso Cruz. Li quatro livros dele depois de uma professora ter colocado o Jesus Cristo Bebia Cerveja (2012) como leitura obrigatória numa cadeira. Neste momento considero Afonso Cruz um dos meus escritores portugueses favoritos, e este livro é capaz de ser o meu favorito juntamente com o Vamos Comprar Um Poeta (2016). Numa narrativa quase infantil e leve, o autor conta-nos a história de um menino que descobre o segredo do pai que morreu por causa da literatura. O filho descobre a biblioteca do pai e prende-se com todos os livros que ele leu, percebendo o porquê de ele ter desaparecido deste mundo por causa de algo tão importante como o acto desafiante de ler. 

“Um bom livro deve ter mais do que uma pele, deve ser um prédio de vários andares. O rés-do-chão não serve à literatura. está muito bem para a construção civil, é cómodo para quem não gosta de subir as escadas, útil para quem não pode subir as escadas, mas para a literatura há que haver andares empilhados uns em cima dos outros. Escadarias e escadarias, letras abaixo, letras acima.” 

2. Fangirl (2013), Rainbow Rowell


Este foi o meu livro favorito de 2016, o que tenho com mais carinho de todos os que li e que ficou gravado no meu coração. Foi-me oferecido pela Bia nos meus anos e é dos meus preferidos por ser um reflexo de quando eu tinha 17 anos. Cath é uma menina tímida que não vive para além do seu computador e das histórias que cria. Tal como eu, Cath escreve fanfictions de Simon Snow, uma personagem de um outro livro criado pela mesma escritora, Carry On (2015). Quando vai para a faculdade, Cath tem que aprender a distanciar-se da sua zona de conforto, vivendo num dormitório com outra pessoa que não a irmã gémea e conhecendo outras pessoas, entre elas Levi, o love interest da história. Com todas estas mudanças, Cath apercebe-se que há espaço para amor e amizade na vida real e não apenas nas personagens que produz nas suas histórias, e enquadrei-me tanto na sua transformação que acabei o livro às quatro da manhã sem fôlego. Definitivamente um must-read se, como eu, foram fangirls na vossa juventude (ou até mesmo agora!). 

“You’ve read the books?”
“I’ve seen the movies.”
Cath rolled her eyes so hard, it hurt. 
“So you haven’t read the books.”
“I’m not really a book person.”
“That might be the most idiotic thing you’ve ever said to me.”

3. Dom Quixote de La Mancha (1605), Miguel de Cervantes


Eu sei, eu sei. Como assim, Dom Quixote? Bem, nem eu sei. Foi leitura obrigatória para Literatura Espanhola e agradeço muito ao meu professor ter-me obrigado a ler Cervantes. Foi aborrecido em grande parte, extenuante, mesmo! Mas valeu a pena. Todos nós sabemos a história do nobre que decide partir em aventuras a achar que é um cavaleiro andante. Há pequenas subtilezas na escrita de Cervantes que em nada coincidem com a literatura de séc. XVII. A razão porque Dom Quixote ficou louco e passou a achar que era um cavaleiro foi por causa da literatura, e alguém enlouquecer pelo poder da literatura é uma ideia tão moderna, não é? Só sei que depois de 800 páginas, o final levou-me às lágrimas e acabei a esquecer o aborrecido e a achar o livro um clássico que ficará sempre, como os clássicos de Camões. E por isso, Cervantes é uma das minhas leituras favoritas deste ano.

4. Os Transparentes (2012), Ondjaki

2016 também foi o ano em que descobri Ondjaki, bem como outros autores luso-africanos. Às vezes fico perplexa como é que, estando num curso de Literatura, sou tão ignorante da maravilha que é a literatura portuguesa, onde escritores como Afonso Cruz, Gonçalo M. Tavares ou luso-africanos como Mia Couto e Ondjaki têm lugar. Há tanta beleza n'Os Transparentes que eu senti, ao longo da sua escrita, que cada palavra que lia era fonte de magia. Há poucos livros capazes disso, e Ondjaki foi definitivamente um dos escritores capazes de me fazer sentir isso mesmo. Nesta história, o narrador conta-nos a vida de várias famílias e de várias personagens que vivem numa Luanda pobre que sonha ser rica. Paralelamente, Odonato vai ficando transparente à medida que deixa de comer para alimentar a família, à medida que a vida dos seus se vai definhando. Há uma frase que me marcou muito e que relembro sempre, que diz: 

“A verdade é ainda mais triste, Baba: não somos transparentes por não comer. Nós somos transparentes porque somos pobres.”


5. O Quarto de Jack (2010), Emma Donoghue


room (2015)
Fiquei a saber do livro através do filme, claro. Muitos de vocês conhecem o Room (2015), que teve várias nomeações para os Óscares de 2016. O filme é muito fiel ao livro, o que pode tornar-se um bocadinho maçador na leitura se já tiverem visto a versão cinematográfica. O Quarto de Jack é escrito através da perspectiva de Jack, um menino de cinco anos que vive aprisionado com a sua mãe e que, por nunca ter conhecido nada para além do quarto, diz que o mundo é o quarto, para além das visitas regulares de Nick, o homem que os mantém ali presos há vários anos. A mãe da criança consegue convencer Jack a fingir estar morto para que ele possa sair e avisar a polícia do que está a acontecer, e a narrativa é genial porque, através da voz de Jack, percebemos os medos de um menino que não conheceu mais nada para além da sua mamã e do seu quarto, que teve de passar pela tentativa de suicídio da mãe e a aprendizagem sobre como viver com outras pessoas para além da mãe. Adorei o filme e também gostei muito do livro, principalmente porque acho que a perspectiva de Jack deu uma voz ainda maior e uma maior importância à história que é contada. 

“In the world I notice persons are nearly always stressed and have no time. I don't know how persons with jobs do the jobs and all the living as well. I guess the time gets spread very thin like butter all over the world, the roads and houses and playgrounds and stores, so there's only a little smear of time on each place, then everyone has to hurry on to the next bit.”


Sei que partir em 2016 com apenas três publicações não é muito para confiarem em mim. Tento conciliar ao máximo este meu desejo em ter um blog com o mestrado e a vida pessoal, o que nem sempre é fácil. Mas prometo estar mais presente em 2016 e com as ideias mais definidas!
Acima de tudo, desejo um óptimo 2017 a todos, com boas entradas e muito champanhe à mistura. Que seja definitivamente melhor do que 2016 e que vos traga tudo ou mais do que desejarem! :)

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